terça-feira, 12 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Sé.rie
Das reflexões sobre exercício, estudo, série e ensaio, ainda estou em dívida com as duas últimas. Aqui vai um pouco daquilo que escrevi no último mês, relativo à SÉ.RIE.
Se no estudo defino o termo extraído do dicionário, bem como recorro aos termos explorados na música e em outras áreas do conhecimento humano, neste e nos demais não será diferente.
Pra me aproximar do assunto, rememoro os seriados televisivos, em que se repetem os personagens, o tema, o assunto principal ad. infinitum, com pequenas alterações, quase uma discussão sobre o mesmo tema. Mas o que faz uma série permanecer por temporadas? O assunto é explorado ao esgotamento. Não mais no sentido de pesquisa mas de apresentação.
Bem vamos explorá-lo em suas diferentes definições. Atrelado sempre a uma quantidade ou grupo considerável, pode ser uma quantidade de fatos ou coisas da mesma classe e que se apresenta, um após o outro, numa sucessão espacial ou temporal. Museologicamente falando pode ser grupo determinado e limitado de objetos homogêneos que, por suas características, formam um conjunto, podendo ainda ser dividido em classe, categoria. Na música, em específico no dodecafonismo, organização dos doze sons da escala cromática ou outros parâmetros musicais, que serve como ponto de partida para uma composição.
Em sua origem, o termo advêm do latim serìes,ei 'enlaçamento, encadeamento, fieira, série (de objetos). Assim, pelo encadeamento, parece estabelecer uma ordenação seqüencial de coisas ou fatos, uma conexão ou junção. Seria, na literatura, em específico na poesia, recurso, em poesia, de fazer aparecer rima de uma estrofe na estrofe seguinte (versos). Bem como na música, seqüência lógica de acordes. Parece tomar o fio da meada, isto é, como fieira, remete a linha, ao fio, ao barbante. Faz-me relembrar o fio de Ariadne. Tem-se assim um fio condutor, uma linha que tece a trama, um tema que rege o percurso.
Por ter um gosto especial pelas aproximações ou comparações das áreas, volto-me a comparar. E apresento aqui a Forma-sonata, cuja forma compositiva tradicional se divide em momentos, discriminadas como:
· Exposição: onde são expostos os temas principais da peça, geralmente dois ou três.
· Desenvolvimento: os temas principais sofrem diversas variações e modificações, em vários tons distintos.
· Recapitulação: os temas principais são reapresentados, mas em tonalidades diferentes da exposição - geralmente na dominante. É comum que haja também mudanças na forma de execução, como a mudança de intensidade ou velocidade.
Este tipo de apresentação assume uma formação cíclica, que a meu ver, muito pertinente a esta relação que pretendo desenvolver sobre o que poderia ser definido como série, nas artes visuais. Isto é, o tema, anteriormente explorado no estudo, neste momento, se lança aproximando-se de um refinamento mais acurado, não é mais uma questão formal em pauta ou um tema. Mas tem a capacidade de agregar os elementos, um veio condutor permeia todo conjunto, exigindo do expectador um olhar mais acurado. Como na Forma-Sonata, um assunto.
Se um estudo pode vir a se constituir uma série, esta parece, a me ver, caminhar uma pouco mais. Afinal a questão temática ou formal ou conceitual se agrega a uma visualidade em acordo, partilhando, apesar das diferenças individuais, do fio condutor, o fio de Ariadne...
Como poderia exemplificar? Nada melhor que uma grande mestra, Rosangela Rennó. A artista trabalha excessivamente com as séries em apropriação de imagens, objetos e coisas, reatando a trama do tempo e da memória. Destaco abaixo texto extraído sobre a série Imemorial de 1994.
Na série Imemorial, Rosângela Rennó mostrou uma instalação de cinqüenta fotografias que renderam retratos escuros dos trabalhadores e crianças que construíram Brasília, a capital cujo desenho arquitetônico foi pioneiro por sua visão utópica. Em um armazém do Arquivo Público do Distrito Federal, Rennó achou malas com mais de 15.000 arquivos relativos aos empregados da companhia de construção do governo Novacap. Em Imemorial, ela faz uso de histórias que contam o massacre nas barracas da obra e de dezenas de trabalhadores que morreram no processo de construção de Brasília e foram enterrados nas suas fundações. Nos arquivos, esses trabalhadores foram classificados como “dispensados por motivo de morte”.
A exemplo do aviso de Walter Benjamin de que nem os mortos estão a salvo quando somente os vitoriosos contam a historia, o trabalho de Rennó engaja a luta sobre a propriedade da memória. A experiência de ver é, por si própria, sujeita à força do esquecimento, e a tarefa de ler rastros é equivalente a apaziguar-se com o passado. Rastros de identidade foram capturados no momento anterior ao desaparecimento dessas pessoas, o reconhecimento da diferença extraída das sombras de uma história suprimida. A instalação representa um gesto redentor, a ressurreição dos corpos caídos, daqueles que se sacrificaram na construção do futuro.
A exemplo do aviso de Walter Benjamin de que nem os mortos estão a salvo quando somente os vitoriosos contam a historia, o trabalho de Rennó engaja a luta sobre a propriedade da memória. A experiência de ver é, por si própria, sujeita à força do esquecimento, e a tarefa de ler rastros é equivalente a apaziguar-se com o passado. Rastros de identidade foram capturados no momento anterior ao desaparecimento dessas pessoas, o reconhecimento da diferença extraída das sombras de uma história suprimida. A instalação representa um gesto redentor, a ressurreição dos corpos caídos, daqueles que se sacrificaram na construção do futuro.
MEREWETHER, Charles. “Archives of the Fallen // 1997” . In The Archive: Documents of Contemporary Art. London [Londres] e Cambridge , Massachusetts : Whitechapel e MIT Press, 2006. P. 160- 162
1994
Instalação para a exposição "Revendo Brasília"
40 retratos em película ortocromática pintada e 10 retratos em fotografia em cor em papel resinado sobre bandejas de ferro e parafusos. Título Imemorial na parede em letras de metal pintado. 60 x 40 x2 cm (cada moldura de ferro)
Coleção de Marcos Vinícius Vilaça (Brasília/Recife)
Instalação para a exposição "Revendo Brasília"
40 retratos em película ortocromática pintada e 10 retratos em fotografia em cor em papel resinado sobre bandejas de ferro e parafusos. Título Imemorial na parede em letras de metal pintado. 60 x 40 x
Coleção de Marcos Vinícius Vilaça (Brasília/Recife)
Ausência...
Apesar de pensar no assunto, e até mesmo desejar passar mais tempo escrevendo, é difícil pois a vida caminha, sempre exigindo aqui e ali, nossas ausências de nossos reais desejos. Por outro lado também nos reserva momentos especiais, que só nos damos conta depois que não mais o temos.
Tem sido assim com a perda de meu pai. Sinto sua falta, sua preocupação comigo, seu real amor, seu carinho em pequenos afetos, bilhetes e até mesmo na simplificação de minha vida, tentando resolver tudo que lhe era possível.
O amava, o amo ainda e sinto sua falta. Acabo percebendo-o nas pequenas lembranças de que ele fazia. E, as vezes, em maneiras de silêncio e produção das crianças - quando estão desenhando ou inventando algo, com as mãos, com o olhar, com as coisas...
É, sinto muito, muito sua falta. Do sorriso perdido, do desligamento aos materiais (se quebrar, quebrou; se bater, bateu) pois "tudo se passa como se nada houvesse passado..." eram suas palavras quando estávamos preocupados com bobagens - um vestibular, uma prova difícil, uma apresentação de piano...
É, saudade...
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Desaparecida - Express Project
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
Admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.”
Antonio Cícero
Introdução:
Com uma incontrolável mania de guardar coisas, o encaixotar tornou-se inevitável em meu cotidiano e pior, um acúmulo acrescido de esquecimento...
Esse projeto, expresso de 4 semanas, tem por objetivo re-iluminar algumas ‘velhas conhecidas’, seja documentação fotográfica, seja guardados, seja anotações. Onde a premissa parte por rever, re-olhar, re-visitar processos e produções anteriores, enfim iluminá-las para lembrar. E, quem sabe, viver mais leve...
Justificativa:
Em 1994 dei início a uma catalogação de ornamentações de túmulos e mausoléus dos cemitérios da Saudade de Campinas e Poços de Caldas. A princípio de maneira orgânica, a documentação era regida por aquilo que me seduzia, posteriormente tomando um formato mais organizado, a documentação se centrou na produção da Marmoraria dos Irmãos Coluccini e, especificamente, na produção escultórica de Lélio Coluccini (1919-1983).
A peça escultórica que impeliu toda essa documentação foi uma peça escultórica em bronze, provavelmente de 1903, de autoria de P. Velez [Patrício (?) Velez, talvez pai do escultor Marcelino Velez], no cemitério da Saudade de Campinas na quadra 23. Em recente visita ao cemitério, para meu pasmar, a peça que tanto me seduzia desaparecera... Surgiu deste desconforto, a idéia de buscá-la, talvez a maneira de um C.S.I. , inicialmente pelos vestígios do objeto. Re-configurando em cartaz, foto-conceito e flipbook.
O projeto expresso se restringe a produção de flip-books. Você poderá me questionar, mas porque flip-books? Bem, a idéia do flip-book se centra na questão do buscar um tempo que se perde, que passa. Porém pelo livrinho nos é possível, voltar, rever, repetir a ação quanto se desejar, até nele perder-se ou, interromper a ação e visitar um pequeno fragmento dele. Para mim, o jogo de movimento que o flip-book possibilita confere uma condição de busca, de passagem, da impossibilidade de reter a imagem, de reter o tempo...
E, antagonicamente no desejo de reter e desfiar o tempo me impele a produzir e talvez não apenas revisitar o cemitério, mas também outros trabalhos confinados, esquecidos, atrelados a questão da memória. Mas acho que esse será, um outro projeto...
Objetivo:
Produzir 3 flip books, talvez um vídeo com movie maker para postagem...
Investigar o motivo do desaparecimento da peça escultórica [Manutenção? Depredação? Esquecimento?]
Cronograma:
Captação e produção de imagens fotográficas (fixas e móveis) in-loco no cemitério [2 dias]
Seleção, produção e manipulação em Photoshop e corel [21 dias]
Impressão gráfica em papel couchê 120grs e papel adesivado para capas [1 dia]
Montagem dos flip-books [1 dia]
Pesquisa junto à administração do cemitério as razões reais do desaparecimento da peça escultórica e confirmação da autoria de peça em bronze.
Recursos:
Camera Sony cyber-shot 3.2 MP
Programas Photoshop e Corel Draw
Movie Maker
Sinopse:
Projeto expresso tem por intuito, em 4 semanas, realizar a montagem de 3 flip-books atrelados ao assunto da ‘desaparecida’.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Deslembrar
Esse foi o livro infantil que li hoje com minha pequena...
Visualmente impecável e só me fez pensar em meu grande dilema de todo dia, guardo, guardo e me perco em tantas 'guardações' e aí, em meio a tantas caixas não acho nada.
Como gostaria de despojar-me de tanta coisa guardada, mas tenho dificuldade até com o critério. Mania que carrego desde criança, se exarcebou ainda mais após trabalhar no museu e se estende entre nossas mudanças e assim, as caixas vão ficando...
Mas olha só que lindo o que o autor insere logo no começo:
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la .
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é,
iluminála ou ser por ela iluminado." (Antonio Cícero)
Tomara que assim aprenda a rever minhas tantas tralhas e revê-las. E novamente dar um sentido as tantas coisas e enfim se desfazer finalmente delas...
O livro: Pontes, Luciano. Deslembrar. Ilustração Rosinha. São Paulo: Larousse do Brasil (infantil), 2009
Visualmente impecável e só me fez pensar em meu grande dilema de todo dia, guardo, guardo e me perco em tantas 'guardações' e aí, em meio a tantas caixas não acho nada.
Como gostaria de despojar-me de tanta coisa guardada, mas tenho dificuldade até com o critério. Mania que carrego desde criança, se exarcebou ainda mais após trabalhar no museu e se estende entre nossas mudanças e assim, as caixas vão ficando...
Mas olha só que lindo o que o autor insere logo no começo:
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la .
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é,
iluminála ou ser por ela iluminado." (Antonio Cícero)
Tomara que assim aprenda a rever minhas tantas tralhas e revê-las. E novamente dar um sentido as tantas coisas e enfim se desfazer finalmente delas...
O livro: Pontes, Luciano. Deslembrar. Ilustração Rosinha. São Paulo: Larousse do Brasil (infantil), 2009
segunda-feira, 4 de abril de 2011
E.xer.cí.cio ou Es.tu.do ?
E.XER.CÍ.CIO
No sentido lato do termo tem relação com a prática com o objetivo de aperfeiçoamento ou desenvolvimento de uma habilidade. Treinamento de uma ação específica. A meu ver não tem um pensamento específico numa proposta ou uma idéia, mas uma generalização. Mais atrelado á prática e a ação que ao pensamento.
O termo advêm do lat. exercitìum,ìi 'exercício, prática', do radical de exercìtum, supn. de exercère 'exercer, exercitar'.
ES.TU.DO
Quando falamos: ´vou estudar`. Em geral, nos referimos a nos aprofundar, direcionar-se para um assunto.
Etimologicamente, procede do latim studìum,ìí 'trabalho, cuidado, zelo; vontade, desejo; favor, benevolência, ação de estudar; ocupação, profissão; doutrina, seita, escola; sala, gabinete de estudo; colégio, corporação.
De sua própria definição, ato ou processo de estudar e aplicar a inteligência para aprender, compreender algo que se desconhece ou de que se tem um conhecimento apenas delineado. Uma investigação, análise ou exame minucioso sobre determinado assunto.
Será que deve ser diferente nas artes? Pensemos num estudo coreográfico, nada mais seria que um exercício exaustivo a chegar a uma definição específica daquilo que se imagina, ou onde se deseja chegar. Parece não se distanciar de uma pesquisa, de um estudo científico onde se cerca o assunto a chegar à exaustão com a finalidade de compreendê-lo.
E na música, o que se define por estudo? Não é o exercício exaustivo de um assunto específico? Certamente afinal, estudo em música se refere a uma composição musical com a finalidade de exercitar uma habilidade técnica específica na execução de um instrumento solo.
Começo a me sentir a vontade para imergir nas artes visuais. Talvez o termo ESTUDO se aproxime da “busca de um tema” ou “um tema...”. Penso novamente nas aproximações com a música àquilo que chamamos de tema inicial ou primário, que é o princípio de um assunto. Lembrando que etimologicamente o termo tema vem do latim théma, àtis, assunto, proposição, argumento, matéria, tese, podendo ainda ser a raiz de uma palavra. Assim, particularmente o estudo assume essa espécie de embrião a uma proposição maior, ainda assumindo a característica de busca, de pesquisa, de busca de uma idéia... Tentarei ser mais explícita: conjunto de imagens construídas com a finalidade de tratar um assunto formal específico, ad.es. , estudo de cores, luz e sombra, estudo da figura em movimento.
Poderia então elencar como o mais técnico dos termos a serem discorridos, porém um dos mais importantes. Pois pode ser que para um ensaio específico o estudo não seja necessário, se houveram antes muitos, muitos outros estudos que supram as necessidades técnicas ou conteudísticas exploradas em outros momentos.
Pensemos agora numa exemplificação prática: que tal apresentarmos um estudo. Estudo de tonalidades quentes e frias no Photoshop, quais as possibilidades e alterações, quais os limites de ação; ou, as gradações de cinza da captura de uma imagem num dia chuvoso, ensolarado e de pleno sol, quais as diferenças tonais e de sensação do expectador? Ou a figura em movimento o congelamento, o rastro ou o panning, como trabalho estes elementos tecnicamente com minha câmera? Ou como configurar o movimento pelo desenho? Como desenhar com a fotografia?
Enfim são apenas exercícios, estudos de um assunto...
Pensando conceitos 'batidos'...
No início deste ano tive a oportunidade de participar de uma Oficina cuja proposta era a produção de um ensaio fotográfico.
A princípio entrei no jogo com intuito de produzir, porém mais que produzir, me fez pensar, na verdade, tentar definir alguns conceitos tão usuais no meio fotográfico e visual.
Assim tentei definir e exemplificar o conceito de exercício, estudo, série e ensaio, se fui de todo coerente, não sei.
Diário de 9 meses, uma idéia
Ao rever antigas anotações de palestras assistidas, revejo um adendo às palestras, uma idéia minha de montar um diário de 9 meses para escrever ali o processo onde dedicaria 30 min. a 1 hora para pensar, escrever, produzir arte, literatura, ou sei lá o quê, mas que me fizesse voltar a pensar, estudar e refletir sobre arte.
Com duas gestações bem sucedidas e com diferença temporal de 1 ano e 9 meses entre elas. Dois pequenos para cuidar, a idéia em 2006 me era muito próxima daquilo que estava vivenciando, e não por acaso assim a idéia fixa de 9 meses, uma gestação.
Agora com um pouco mais de respiro, as crianças correm e brincam com mais independência. A possibilidade de viabilidade do projeto parece-me mais pertinente.
Vamos ver o que nascerá....
Com duas gestações bem sucedidas e com diferença temporal de 1 ano e 9 meses entre elas. Dois pequenos para cuidar, a idéia em 2006 me era muito próxima daquilo que estava vivenciando, e não por acaso assim a idéia fixa de 9 meses, uma gestação.
Agora com um pouco mais de respiro, as crianças correm e brincam com mais independência. A possibilidade de viabilidade do projeto parece-me mais pertinente.
Vamos ver o que nascerá....
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