sábado, 14 de maio de 2011

Um esboço de uma idéia


Cildo Meireles.
Insertions into Ideological Circuits – Coca-Cola Project, 1970.
© Cildo Meireles. Tate, London.
Pois então, um esboço, um protótipo de uma idéia, espero que a realize e não que se acumule como as muitas idéias esquecidas no papel ou na memória...

A idéia é simples. Tem me incomodado profundamente essa minha permanência em acumular, guardar e esquecer... Assim pensei como transformar, requalificar minha inabilidade por se desfazer das coisas. Então pensei num novo destino... Num destino colaborativo - a palavra do momento - em que esses objetos que acúmulo sem sentido ou razão de acumulá-los. São vidros vazios que não tenho um destino ou um uso real, mas que guardo, com a finalidade de 'congestionar' o planeta, 'congestiono'  minha casa. Pois então com estes objetos, qual o novo destino que poderia dá-los? Porque não produzir algo: um patê, um requeijão e dar a alguém, presentar com algo seu e que não poluirá o planeta, agradará alguém com sua gentileza, e isso não é bom? Espero que sim.

Pois então, e a pergunta básica é: mas quem recebeu vai jogar fora. Mas, e se houver uma etiqueta, uma idéia, uma sugestão para presentear alguém e assim colaborar - olha aí a palvra de novo - com a sustentabilidade do planeta, a gentileza de uma presente, de um gesto de afeto?
Pois bem, isso não é nada novo. Cildo Meirelles, na década de 70 do século passado já realizava isso. Afinla seu projeto coca-cola "Inserções em Circuitos Ideológicos"  não tinha já um quê desta primária idéia?

É, isso é o esboço de um projeto. Agora,  colocar em prática: eis a questão!

Espero que essa idéia se conclua e não patine como este diário de 9 meses onde quase dois já se passaram e ainda estou patinando para escrever diariamente, ou como o espress project que ainda está no papel...
É fato, um desabafo de uma decepção interna...

Accumulátor

Etimologicamente procede do latim accumulátor,óris 'que junta, que amontoa'.

Pois então, tenho sido desde pequena uma acumuladora, compulsiva? não sei. Sei que acumulo muito, muito mesmo. E pra quê? Não sei também, pode ser que um dia precise, pode ser que ajude alguém.
Mas o acúmulo se intensifica, guardo onde não me lembro, e as coisas vão se acrescentando, caixas e caixas crescem sem lembrar-me de seu conteúdo.
Quando reabro esta ou aquela caixa, são como pequenos tesouros esquecidos. Mas o primeiro vislumbre passa, guardo novamente e torno a esquecer.

Incomoda o tempo perdido em encontrar livros, anotações, materiais... Não que esteja uma bagunça estão arrumados, mas não organizados, não sei onde as coisas estão... É triste, e tem me incomodado profundamente este acúmulo de coisas para se lembrar mas esquecidas em algum lugar.

Lembrando novamente Antonio Cícero...
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la .
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é,
iluminá-la ou ser por ela iluminado."

Preciso retomar que
Para lembrar precisam estar a vista,
para lembrar precisar sentir a luz, o cheiro do tempo,
da poeira e do sol.

Mas estão lá, guardados em alguma caixa,
esquecidos, prontos para ser lembrados, mas até quando?

E quando finalmente deixar de existir, que valor terá?
simbólico? não
afetivo? não
serão simplesmente acúmulos esquecidos no tempo, perdidos do contexto de seus amores...

É, já passou da hora de resolver e concluir este dilema.
Se desejo lembrar preciso mostrar,
Se desejo que faça sentido preciso mostrar seu sentido.

Qual o fim que vou destinar a essas lembranças? ou as coisas que destituem os sentidos porém não consigo delas me desvencilhar. Seja um pote de vidro a uma boneca quebrada, devo a eles, a mim e ao entorno um destino, algo que se reformule, que faça sentido e se faça sentir...