sábado, 14 de maio de 2011

Accumulátor

Etimologicamente procede do latim accumulátor,óris 'que junta, que amontoa'.

Pois então, tenho sido desde pequena uma acumuladora, compulsiva? não sei. Sei que acumulo muito, muito mesmo. E pra quê? Não sei também, pode ser que um dia precise, pode ser que ajude alguém.
Mas o acúmulo se intensifica, guardo onde não me lembro, e as coisas vão se acrescentando, caixas e caixas crescem sem lembrar-me de seu conteúdo.
Quando reabro esta ou aquela caixa, são como pequenos tesouros esquecidos. Mas o primeiro vislumbre passa, guardo novamente e torno a esquecer.

Incomoda o tempo perdido em encontrar livros, anotações, materiais... Não que esteja uma bagunça estão arrumados, mas não organizados, não sei onde as coisas estão... É triste, e tem me incomodado profundamente este acúmulo de coisas para se lembrar mas esquecidas em algum lugar.

Lembrando novamente Antonio Cícero...
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la .
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é,
iluminá-la ou ser por ela iluminado."

Preciso retomar que
Para lembrar precisam estar a vista,
para lembrar precisar sentir a luz, o cheiro do tempo,
da poeira e do sol.

Mas estão lá, guardados em alguma caixa,
esquecidos, prontos para ser lembrados, mas até quando?

E quando finalmente deixar de existir, que valor terá?
simbólico? não
afetivo? não
serão simplesmente acúmulos esquecidos no tempo, perdidos do contexto de seus amores...

É, já passou da hora de resolver e concluir este dilema.
Se desejo lembrar preciso mostrar,
Se desejo que faça sentido preciso mostrar seu sentido.

Qual o fim que vou destinar a essas lembranças? ou as coisas que destituem os sentidos porém não consigo delas me desvencilhar. Seja um pote de vidro a uma boneca quebrada, devo a eles, a mim e ao entorno um destino, algo que se reformule, que faça sentido e se faça sentir...




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